O cinema nordestino possui uma narrativa e fotografia peculiar, fundamentado no intuito de descrever a cultura e a realidade do povo local. E, com o advento e barateamento das novas tecnologias e a instalação de empresas produtoras, o Nordeste deu um salto na quantidade e qualidade de suas produções audiovisuais, destacando-se mundialmente através de premiações cinematográficas. Com o objetivo de possibilitar o acesso a todos e difundir a cultura nordestina para os próprios nordestinos, a Semana do Cinema Nordestino democratizará a exibição de longas-metragens produzidos na região. Durante seis dias, o SBT Nordeste dedicará um horário em sua programação às produções regionais, dando destaque às obras de grande valor representativo dos estados do Ceará, Pernambuco e Bahia, os maiores polos cinematográficos do Nordeste. Levar o cinema nordestino para a grande massa é uma forma de atrair investidores para a região e mais apaixonados pela sétima arte.

Milagre de Juazeiro (CE - 2009)

Milagre em Juazeiro fala sobre o fenômeno ocorrido na cidade cearense de Juazeiro do Norte, em que a hóstia virou sangue quando o Padre Cícero Romão ministrava a comunhão à beata Maria de Araújo. O filme, um misto de documentário e ficção, registra as romarias e festas populares religiosas, além de apresentar depoimentos de religiosos e pesquisadores sobre o que ficou conhecido como o “milagre de Juazeiro”.

O filme recebeu os prêmios de Melhor Documentário no Festival Internacional de Montevidéu; Melhor Filme e Melhor Ator no III Festival Luso- Brasileiro, Portugal ; Melhor Montagem no IV Festival de Cinema de Recife; Melhor Atriz Coadjuvante e Especial do Júri, XXXI Festival de Brasília de1999.

Patativa do Assaré, Av e e Poesia (CE - 2009)

O filme aborda a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré, destacando a relevância dos seus poemas, o significado político dos seus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira. Dono de um ritmo poético de musicalidade única, mestre maior da arte da versificação e com um vocabulário que vai do dialeto da língua nordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa do Assaré é a síntese do saber popular versus saber erudito. O poeta consegue, com arte e beleza, unir a denúncia social ao lirismo. No ano de 2001, Patativa do Assaré foi escolhido como um dos mais importantes cearenses do século 20. A obra ganhou o prêmio de Melhor Filme, no Festival Cine Ceará.

Baile Perfumado (PE – 1997)

Conta a saga real do libanês Benjamin Abrahão, mascate responsável pelas únicas imagens de Virgulino Ferreira, o Lampião, quando vivia no sertão brasileiro. A história é pontuada pelas imagens originais do protagonista, e apenas onze minutos do filme exibem um Lampião bem diferente do herói dos pobres: aburguesado, maravilhado com modernidades como a máquina fotográfica e a garrafa térmica, tomando uísque e banhando - se em perfume francês, além do bando que também ia aos bailes no meio do sertão, daí a origem do título do filme. As imagens foram apreendidas pela ditadura do Estado Novo, e só foram recuperadas no início dos anos 60 pelo cineasta Paulo Gil Soares e seu produtor, Thomas Farkas.

Baile Perfumado venceu nas categoria de melhor filme, melhor cenografia e melhor ator coadjuvante (Aramis Trindade) no Festival de Brasília em 1996, melhor cartaz no Festival de Havana, em Cuba (1997) e melhor trilha sonora e ator coadjuvante (Luiz Carlos Vasconcelos) no Prêmio APCA, em 1998.

O Homem que Engarrafava Nuvens (PE – 2009)

A história do baião através da ascensão e queda de um de seus maiores expoentes, o letrista e compositor Humberto Teixeira, conhecido como o “doutor do baião”. Responsável por clássicos como “Asa Branca” e “Adeus Maria Fulô”, Teixeira atingiu o estrelato nos anos 50, mas foi sempre eclipsado por seu parceiro Luiz Gonzaga. Na década seguinte, com o surgimento da bossa nova, o baião caiu na obscuridade. Ganhou, em 2011, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Documentário e Melhor Trilha Sonora.

Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano (BA – 2009)

Um panorama da música popular brasileira dos anos 60 e 70 através do grupo musical Novos Baianos. Uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado por seus integrantes e a influência sofrida pelo grupo do cantor João Gilberto.

Ganhou o prêmio de melhor filme pelo júri popular no Festival de Brasília de 2009.

Samba Riachão (BA – 2001)

Aos 80 anos de idade Riachão é o cronista musical da cidade de Salvador, tendo vivenciado todas as transformações pelas quais passou a música popular brasileira e os meios de comunicação no decorrer do século XX. É através das histórias deste cronista que o filme apresenta um relato histórico da MPB.